Mostrando postagens com marcador Psicólogos contra Internação Involuntária dos dependentes de Crack. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicólogos contra Internação Involuntária dos dependentes de Crack. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PLANO CRACK TRAZ RETROCESSO AO INTRODUZIR COMUNIDADES TERAPÊUTICAS E OUTRAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS NO SUS

O Conselho Federal de Psicologia esteve presente no lançamento do programa do governo federal contra o Crack, apresentado nesta quarta-feira, 7 de dezembro, em Brasília, quando houve a inclusão pelo governo das comunidades terapêuticas e outras instituições privadas no Sistema Único de Saúde (SUS), decisão contrária às deliberações da 14ª Conferência Nacional de Saúde.

Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Plano se mostrou pouco inovador e, com a inclusão das comunidades terapêuticas como dispositivos do Sistema Único de Saúde, levanta-se a preocupação de que isso possa se constituir o retorno da lógica manicomial, que segrega e isola o indivíduo das suas relações sociais, familiares e do seu território cultural. Esta lógica mostra-se contrária à lógica do SUS, que defende a redução de danos, o respeito à sexualidade e às crenças do indivíduo e permite a integração social, sempre tendo como meta a autonomia e a co-responsabilização do usuário no seu tratamento.

Durante o lançamento do Plano, também houve a tentativa de tentar unir três eixos - prevenção, cuidado e repressão – que, de acordo com o CFP, além de não se conjugarem, revelam uma visão conservadora em relação às drogas.

VISTORIAS
A última Inspeção Nacional de Direitos Humanos: locais de internação para usuários de drogas, realizada pelo CFP, revelou o resultado de vistorias em 68 comunidades terapêuticas, com violações de direitos humanos de diferentes graus em todas as instituições.

A entrega do relatório foi seguida por pedidos de debate público sobre o tema com a sociedade civil e sua inclusão nos Conselhos de Direito, principalmente no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, que já não se reunia há dois anos.

Apesar do Plano Crack trazer avanços ao fortalecer a rede pública de saúde, com metas de ampliação de consultórios de rua e dos Centros de Atenção Psicossociais de Álcool e outras Drogas (CAPS AD) 24 horas, o CFP acredita que o financiamento público das comunidades terapêuticas e de outras instituições de direito privado, que o Plano chama de Unidades de Acolhimento de Adultos e Crianças e Adolescentes, pode comprometer todo o esforço do Plano em decorrência da redução dos investimentos dos recursos em equipamentos públicos.

“É como se a inclusão de uma lógica antagônica à lógica do SUS produzisse uma ferida que pode prejudicar todo o sistema”, comparou o presidente do CFP, Humberto Verona.